segunda-feira, 22 de maio de 2017

BERLIM 1945: A QUEDA


Berlim destruída


       Após várias  interrupções finalmente concluí a leitura  do livro Berlim 1945: a queda, de autoria do historiador britânico Antonyd Beervor. A obra recebeu sérias  críticas  do  governo  russo após  o seu  lançamento. Beervor relata  as ações  do Exército  Vermelho durante e depois da conquista  de Berlim. Entre inúmeros   assuntos polêmicos o autor ressalta fatos relacionados aos estupros cometidos pelos militares. Segundo o historiador “no total, acredita-se que  pelo menos 2 milhões  de alemãs  foram estupradas durante a ocupação”. Beervor narra desde o cotidiano dos soldados nos campos de batalha  até o dia a dia dos civis que percorrem as ruas  da cidade  em ruínas  em busca de alimentos em meio ao  caos que se instala  após  os bombardeios.





quarta-feira, 19 de abril de 2017

A HISTÓRIA DO RACISMO NO FUTEBOL BRASILEIRO

Rei Pelé


Em 2012, já com o espírito voltado para a Copa do Mundo de 2014 elaborei uma resenha do livro O Negro no Futebol Brasileiro, de autoria do escritor Mario Filho, publicado em 1947. Esta resenha foi publicada no site  Observatório da Imprensa. Para a minha surpresa, ela foi utilizada na prova de Língua  Portuguesa do concurso para o preenchimento de cargos técnico-administrativos  do Instituto Federal  de Pernambuco em maio de 2014.
A história do racismo no futebol brasileiro
Por Julio Ribeiro Xavier em 10/04/2012 na edição 689, Observatório da Imprensa.

Em tempo de Copa do Mundo, tendo o Brasil como país-sede em 2014, é sempre bom lembrar a trajetória da nossa “paixão nacional”. E ninguém melhor do que o jornalista e escritor Mario Filho para abordar o assunto. Mario Filho nasceu em Pernambuco, viveu no Rio e trabalhou nos jornais A ManhãA Crítica e O Globo. Depois dirigiu o Jornal dos Sports até a sua morte, em 1966. A prática de racismo no futebol não é uma novidade no Brasil. Mario Filho tratou do assunto em 1947. Com O Negro no Futebol Brasileiro, livro publicado em 1947, o jornalista abordou um assunto incômodo para a época: o lento e doloroso ingresso de negros e mulatos no futebol brasileiro. Afinal de contas, até pouco tempo, nossa sociedade pregava aqui e no exterior que a nossa democracia racial era um exemplo para o mundo de convivência harmoniosa entre negros e brancos.

 
Banana atirada no jogador Grafite durante o jogo da Seleção Brasileira em 28 Abr 2005

  Nos primórdios, no nosso “esporte nacional”, ainda não era comum jogar banana ou xingar um jogador negro de “macaco” nos campos de futebol. Naquela época, futebol era coisa de branco e rico. Introduzido no Brasil pelos ingleses que aqui chegaram, no futebol não se admitia mulato ou negro nos campos, e nas arquibancadas eram raridade. Era o Brasil onde o futebol tinha um sentido aristocrático. Era “coisa de bacana”.
Com a vitória da equipe brasileira no Campeonato Sul-Americano em 1919, a imprensa e alguns escritores, como Coelho Neto, passaram a dar grande destaque ao futebol, que entrou no gosto do povo. Em 1921, o então presidente Epitácio Pessoa “recomendou” que o Brasil não levasse jogadores negros à Argentina, onde se realizaria o Sul-Americano daquele ano. Era preciso, segundo ele, projetar no exterior uma “outra imagem” nossa, composta “pelo melhor de nossa sociedade”.
  
  


Cínico e hipócrita
Era a política do Estado brasileiro, em relação à sua população negra, alcançando o futebol. O primeiro herói mulato do futebol brasileiro foi um atacante de cabelos crespos, filho de pai alemão e mãe negra. Friedenreich, do Paulistano (SP), se tornou ídolo em 1919, depois de fazer um gol contra o Uruguai. “O povo descobria, de repente, que o futebol deveria ser de todas as cores, futebol sem classe, tudo misturado, bem brasileiro,” escreveu Mario Filho.
O livro aborda a inovação da equipe de futebol do Clube Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, que era oriundo da Segunda Divisão e que, utilizando um time formado por brancos, negros e mulatos, conquistou o título da Primeira Divisão do campeonato carioca enfrentando equipes formadas apenas por brancos. Mas Mario Filho lembra um comentário de um dirigente vascaíno da época: “Entre um preto e um branco, os dois jogando a mesma coisa, o Vasco fica com o branco. O preto é para a necessidade, para ajudar o Vasco a vencer.”
Mario Filho foi mais além ao lembrar o torneio do Natal entre as equipes de futebol do Rio de Janeiro e São Paulo. No dia 25 de dezembro de 1916, paulistas e cariocas disputaram um jogo de seleções em São Paulo. Como muitos brancos se recusaram a jogar no Natal, os cariocas completaram o time com negros e mulatos. No campo, uma derrota: 9 a 1. Após o jogo, os cariocas afirmaram que a seleção não representava o verdadeiro Rio. “A real possuía família e jamais deixaria seus parentes solitários numa noite de Natal. Só negros e mulatos eram capazes de agir dessa forma.”
Ao escrever um livro dedicado a abordar a trajetória dos negros e mulatos no futebol brasileiro, Mario Filho conhecia bem o campo em que estava pisando. O campo do racismo cínico e hipócrita que persiste até os dias de hoje e que faz muitos estragos não só nos gramados, mas em toda a estrutura da nossa sociedade.
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O



 Segue abaixo um link sobre o assunto. Assista ao documentário A ilusão da democracia racial no futebol brasileiro


https://youtu.be/KbWqm6hbMuA











quinta-feira, 30 de março de 2017

GUERRA E TRAIÇÃO NO BRASIL COLONIAL

Batalha dos Guararapes – quadro de Victor Meirelles (1832-1903) 



A Invasão holandesa ocorrida em 1630 foi um período de ocupação do nordeste brasileiro pelos Países Baixos durante o século XVII.
Uma boa oportunidade de aumentar o conhecimento sobre este período da História do Brasil é ler o livro Traição (2008) do Professor de História da Universidade Federal Fluminense, Ronaldo Vainfas.
O livro conta a história de Manoel de Moraes, um jesuíta nascido em São Paulo no final do século 16 que era missionário em Pernambuco que no contexto da ocupação de Pernambuco pelas tropas holandesas, após combater no lado pernambucano, passou para o lado holandês em 1634, traindo a resistência. Moraes acabou se mudando para a Holanda, onde trocou o catolicismo pelo calvinismo. Lá, ele casou, teve filhos e dedicou-se a várias atividades.
O livro de Vainfas revela que  enquanto Calabar, tido como o principal traidor, é figura certa nos livros didáticos de Ensino Médio, Manoel de Moraes sequer aparece nos manuais didáticos.
Segundo Vainfas, Calabar como traidor da pátria brasileira é um anacronismo que, no entanto, convinha a um tempo em que os historiadores estavam empenhados em construir uma história pátria, confundida com memória da então jovem nação brasileira.
Para o  autor Calabar traiu. Mas traiu o rei de quem era súdito, Filipe II de Portugal ou Filipe IV de Espanha. E traiu, sobretudo, Matias de Albuquerque, o comandante da resistência que tinha depositado enorme confiança nele – que, por isso, foi implacável ao capturá-lo. Trair o Brasil, Calabar não traiu, porque não existia o Brasil como nação.
 No livro Vainfas ressalta que ele não foi o único, embora tenha sido o mais famoso e um dos primeiros.
A maior parte dos que passaram para o lado holandês foi motivada pela convicção de que a derrota era certa. O rei de Espanha, que também era o de Portugal, mal enviava reforços. As derrotas militares se sucediam. A perspectiva de fazer negócios rendosos com os holandeses pesou.

Enfim, é um livro importante para quem busca um pouco mais de  conhecimento histórico.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

DOCUMENTOS DA GUERRA DO CONTESTADO


Hoje minha postagem é dedicada ao trabalho de pesquisa que estou realizando sobre a Guerra do Contestado. Em 2010 estive no Arquivo Histórico do Exército onde tive a oportunidade de acessar ao  conteúdo referente as correspondências e relatórios de combate. A ideia inicial é utilizar essa documentação na produção de um “áudio documentário”. O que seria isso? a partir das transcrições dos radiogramas, relatórios e boletins, narrar  os diálogos dessa documentação. Para isso estou na difícil tarefa de transcrever os conteúdos. A dificuldade que tenho encontrado se refere a linguagem da época.  Seguimos na missão.












domingo, 4 de dezembro de 2016

FOTOS RARAS DO EXÉRCITO ALEMÃO DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - PARTE III

Estou postando mais algumas fotos do Exército da Alemanha. Ainda estou pesquisando todo o álbum, mas disponibilizei essas fotos para conhecimento e auxílio na pesquisa dos interessados no assunto Segunda Guerra Mundial.  Na verdade estou dando prioridade na produção de um documentário curta metragem que aborda o cotidiano da tropa e as trocas de telegramas durante as operações na Guerra do Contestado.


















terça-feira, 15 de novembro de 2016

FINALMENTE A PIPA NO CÉU




Finalmente uma das vinte e quatro pipas que eu comprei no Mercado de Madureira, no Rio de Janeiro, ganhou o céu da cidade de Pelotas. Foram quatro meses aguardando um céu favorável.



  "Soltar pipa" é um dos principais entretenimentos dos jovens e adultos da cidade do Rio. Diariamente ocorrem "sangrentas batalhas de pipas" no céu da cidade. Por conta disso muitas linhas de pipas são enceradas com substâncias cortantes. São os "ceróis", uma mistura perigosa de cola de madeira com vidro moído ou pó de ferro. Essa prática transforma a linha em uma navalha. 



O objetivo é cortar a pipa adversária, ou seja eliminar do céu. Muitos acidentes ocorrem por conta da linha encerada que atinge pessoas nas ruas, principalmente motociclistas,  que sofrem ferimentos nos pescoços, inclusive resultando em morte. 



De acordo com a lei, é proibido comercializar esse material cortante, mesmo assim você encontra no mercado ilegal de alguns bairros.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A CHEGADA DO III REICH




 Olá. Conclui a leitura do livro “A chegada do terceiro Reich”, do historiador  Richard Evans. O livro faz parte de uma trilogia, sendo o primeiro de três volumes do autor sobre o assunto. A obra relata o processo de chegada ao poder dos nazistas colocando fim à República de Weimar, que era uma democracia parlamentar estabelecida na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. 








Com a nomeação de Adolf Hitler como chanceler, em 30 de janeiro de 1933, a Alemanha nazista tornou-se um regime no qual os alemães não possuíam direitos básicos garantidos. Isso tudo é narrado por Richard Evans em detalhes minuciosos. Como não poderia deixar de ser, o autor  é um dos mais destacados especialistas em História da Alemanha. Nasceu em Londres, em 1947. Foi professor de História na Universidade Columbia e na Universidade de Londres.


Para quem gosta de História da Segunda Guerra Mundial  e deseja conhecer as origens do conflito,  esse livro é uma excelente opção.
 A versão em ebook custa cerca de R$ 60,00. Comprei na Amazon por R$ 58,00.