terça-feira, 31 de maio de 2016

RIO DE JANEIRO: MUITO MAIS DO QUE UMA CIDADE OLÍMPICA – PARTE VIII – CONHECENDO OS BAIRROS DO SUBÚRBIO DO RIO

                   
     

Exposição de coleções de brinquedos
       




Acredito que o seu turismo no centro do Rio já está ficando entediante. As mesmas visitas aos mesmos cartões postais e casas de entretenimento. Mas se você não está satisfeito e deseja conhecer o Rio além da Zona Sul e Centro, está na hora de tomar coragem e desbravar os subúrbios com segurança.  O transporte público é o meio mais seguro de se conhecer a cidade. Para quem não conhece muito os subúrbios do Rio, os transportes mais cômodos são o trem e o metrô. Todos passam pelo Centro do Rio. O metrô inicia o seu trajeto na Zona Sul e  termina na zona norte.  Já os trens possuem um percurso bem longo seguindo por vários bairros e outras cidades da região metropolitana.  
       







         Durante a semana, experimente o metrô e conheça o bairro da última estação. Procure utilizar o metrô e trem entre os horários das 10 horas até as 15 horas, de segunda a sexta. No sábado e no domingo é mais tranquilo. 





         A estação da Pavuna, que é um bairro da Zona Norte  do Rio de Janeiro, faz divisa com o município de São João de Meriti. O bairro possui uma das maiores populações dentre os bairros cariocas. Possui um comércio, onde vale a pena visitar a famosa “feirinha da Pavuna”. A feira da Pavuna acontece há mais de 50 anos e ganhou fama no Brasil ao ser cantada pela sambista Jovelina Pérola Negra. Ocupa cerca de 200 metros e reúne dezenas de barracas. Vende alimentos, discos, sapatos, roupas etc.



Peças diversificadas para venda
      

         Uma outra opção é visitar a feira de Acari que funciona no domingo ao lado da estação do metrô. Acari é o bairro com o terceiro menor Índice de Desenvolvimento Humano da cidade e possui a segunda menor renda da cidade. 



    


     Seu IDH, no ano 2000, era de 0,720, o 124º colocado entre 126 regiões analisadas na cidade do Rio de Janeiro, de acordo com a Prefeitura do Rio de Janeiro, mas não se assuste com essas estatísticas, o bairro está em processo de crescimento.  A feira de Acari tem uma diversidade de “coisas” que você vai se surpreender. 


      A feira de Acari tem sido chamada pejorativamente de “feira da robauto”, por conta de alguns produtos, principalmente, de auto peças de origem duvidosa que eram vendidos na feira. Essas ações estão sendo combatidas constantemente pela fiscalização da Prefeitura e da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. 


    Boa parte do material exposto pelos vendedores tem origem lícita e muitas vezes de famílias que resolvem se desfazer de móveis, quadros, panelas, xícaras, livros, fotografias, carrinhos de bebê, brinquedos, roupas, geladeiras, fogões, rádios, ferramentas e inúmeros outros objetos inusitados. 







       A feira também é muito frequentada por colecionadores de outros bairros. Acari seria o último recurso em busca de completar suas coleções. Antes de retornar para o metrô, você pode tomar um chopp no tradicional Bar do Zica, que fica em frente a estação.





         Por conta da feira, o bar fica superlotado aos domingos, mas sempre tem lugar no cantinho. 

  







terça-feira, 17 de maio de 2016

QUARTO DE DESPEJO: DIÁRIO DE UMA FAVELADA

Carolina Maria de Jesus
Com pouco tempo para fazer postagens, aproveitei para compartilhar minhas  leituras. Na tarde de ontem terminei de ler o livro Quarto de despejo: diário de uma favelada (1960), de Carolina Maria de Jesus. O livro é um texto escrito em forma de diário, uma espécie de autobiografia. Carolina Maria de Jesus era moradora da favela do Canindé, em São Paulo. Sua narrativa aborda suas dificuldades e alegrias. Seu livro é mais do que isso. Entre descrições comuns do cotidiano, como acordar, buscar água, fazer o café, encontramos narrativas fortes que desvendavam a vida de uma mulher negra da periferia.
Ela conta que tinha um lixão perto da favela, onde ia catar coisas. Lá, ela soube que um menino, chamado Dinho, tinha encontrado um pedaço de carne estragada, comeu e morreu.



Carolina Maria de Jesus  apresentou  um produto do seu trabalho intelectual à sociedade por meio da publicação de uma obra que rompe drasticamente com o silenciamento a que é conduzida pela cultura hegemônica do nosso país.
É uma mulher negra de classe baixa e pouca instrução formal, que escreve como pode, tanto em termos de linguagem, conforme se percebe, como de material. Seus cadernos de anotações são todos oriundos do lixo. Alguns já foram utilizados.  Carolina ocupa os espaços ainda em branco, e os recicla como único recurso possível de sua expressão escrita.




Michel de Certeau, em seus estudos sobre as práticas culturais dos marginalizados, detalha as formas de resistências dos dominados como a “tática” e a “estratégia, que na linguagem da guerra é ação que depende da conjuntura, dos elementos que se tem à disposição em determinado momento. Para  De Certeau, a arte do fraco, dos sujeitos fora dos centros de poder, é sempre próxima da tática, que é associada ao processo de bricolagem, no qual se recorre às sobras na construção de produtos culturais os mais variados.




Carolina foi descoberta por acaso pelo jornalista Audálio Dantas que ao visitar a favela do Canindé, situada às margens do rio Tietê, em São Paulo, deparou-se com uma moradora que xingava alguns homens que se haviam apropriado dos brinquedos que a prefeitura ali instalara, ameaçando denunciá-los em seu livro. 



Carolina Maria de Jesus, Audálio Dantas e Ruth de Souza na Favela do Canindé
Foi assim que o jornalista conheceu os trinta e cinco cadernos, escritos depois de achados no lixo,  com testemunhos sobre o cotidiano da favela. E foi por seu intermédio que os mesmos tornaram-se um livro. Quarto de despejo teve três edições e em seguida traduzido para treze línguas e circulou em quarenta países, com um total de 100 mil exemplares vendidos. Carolina Maria de Jesus passou a ser assunto constante de jornais e revistas nacionais e internacionais, com amplas reportagens na Life, Paris Match, Época, Réalité e Time.
Prefiro que descubram o resto da vida de Carolina lendo o livro.  Eu só posso afirmar que foi uma leitura que valeu a pena e que eu recomendo.



  Em 1971 a TV alemã produzou um documentário sobre Carolina de Jesus. Segue o link para assistir.
  https://youtu.be/Gn62_WkRh2Q

  Segue um link para acessar ao poema produzido em homenagem a Carolina:

https://www.geledes.org.br/e-so-uma-mulher-negra/









quarta-feira, 4 de maio de 2016

AS GUERRAS ENTRE A ETIÓPIA E A ITÁLIA

   
Menelik II ( 1844-1913 )

   
     Você sabia que a Etiópia entrou em guerra com a Itália duas ocasiões? O primeiro conflito, conhecido como Primeira Guerra Ítalo-Etíope, envolveu o Reino da Itália e o Império Etíope e ocorreu entre dezembro de 1895 e outubro de 1896.
Imperatriz Taitu (1883 a 1913)

    Alguns aspectos importantes devemos destacar ao abordar a história da Etiópia. Em várias fontes, para se referir à Etiópia, os autores preferem utilizar "Abissínia" (terra dos Habeshas ou Abexins, parte da população etíope que tem sua origem ligada ao histórico Império de Axum, importante potência da antiguidade e embrião do moderno país). Para mais informações, ao final da postagem deixamos os links de pesquisa.
Pintura etíope da Batalha de Adwa
    
Uma outra narrativa destaca que a Etiópia foi um grande Império com muito ouro e outras riquezas. Devemos lembrar da rainha de Sheba ou Sabá que era da Etiópia (região que se estendia pelo Sudão, Etiópia, Iêmen e Eritreia). Um dos três magos do nascimento de Jesus era etíope. Cabe lembrar que a Etiópia é um país de maioria cristã envolto por países mulçumanos.
Cavalaria do Exército etíope - Batalha de Adwa

    O Cristianismo é a religião oficial desde 325 d.C., só antecedida pela Armênia, no leste europeu, cristã a partir de 301 d.C.. Em Roma, a sede do Catolicismo, essa religião só foi oficializada em 380 d.C.. Considerar o Cristianismo como nascido na Europa é um engodo e  um pretexto para invadir a África, alegando ir civiliza-la e cristianizá-la e não passa de um embuste para disfarçar os objetivos reais: dominação, exploração de riquezas e escravização.
Menelik, Taitu e seus assessores no comando do  exército etíope

   De acordo com o Velho e Novo Testamento, a Terra de Cuxe era a região onde viviam os descendentes de Cuxe, patriarca dos povos africanos de pele escura, que era neto de Noé e filho de Cam. Cuxe estava localizada no Norte da Africa. Os gregos chamavam os cuxes de etíopes, que significava "faces queimadas" ou "faces negras"
Mapa italiano de Adwa de 1890

     Não fica só nisso, a Etiópia é sede da União Africana e Comissão Econômica nas Nações Unidas para a África, possui vários patrimônios mundiais da UNESCO e também foi na Etiópia que se originou o café.
Ilustração italiana dos soldados Alpini em Adwa

     A Etiópia também é a terra o filósofo Zera Yacob (1599-1692), ou Zära Yaqob. Devemos destacar a importância desse filósofo africano, pois os ideais dos Iluministas já faziam parte das suas reflexões mais de um século antes de Descartes, Locke, Voltaire, Hume e Kant. 
  Em uma caverna, refugiado de perseguição do rei Susenyos por conta de suas críticas em relação a religião oficial da Etiópia, Yaqob acreditava na primazia da razão e afirmava que todos os seres humanos, homens e mulheres, são criados iguais e argumentou contra a escravidão, criticando também todas as religiões e doutrinas.
Prisioneiros italianos

   A filosofia de Yacob, baseada na razão, é apresentada em sua obra principal, “Hatäta” (investigação). O livro foi escrito em 1667 e traduzido para o alemão, inglês e norueguês.
     Vamos voltar para o nosso assunto. O  embate entre Etiópia e Itália assumiria grande destaque dentro da história mundial, pois, pela primeira vez um país europeu seria derrotado no campo de batalha por uma nação africana. Importante lembrar que apenas recentemente a escravidão de africanos fora erradicada do continente americano (Brasil e Cuba foram os últimos praticantes) e que o continente africano encontrava-se àquela altura quase todo sob o domínio de potências europeias, sendo Libéria e a própria Etiópia os territórios ainda não "colonizados".
Dois soldados italianos capturados e mantidos em cativeiro após a Batalha de Adwa 

    Ao mesmo tempo, a Itália, unificada também recentemente, chegara um pouco tarde à partilha colonial realizada no final do século XIX. Tentativas de colonizar a ilha de Bornéu (holandesa e britânica), Angola (portuguesa) e o Chade (em processo de conquista pelos franceses) foram consideradas pelos italianos. Finalmente, o país europeu começa a conquistar o "seu lugar ao sol" ao adquirir a Eritreia (1882) e a Somália (1890). Estes dois territórios estavam a norte e a leste do Império Etíope, e uma invasão do país africano unificaria as colônias italianas, formando um grande território no leste da África.
Vítor Emanuel III- Rei da Itália (1869-1947)

     Como pretexto para a invasão, os italianos utilizaram uma dúbia interpretação do Tratado de Wichale (Ucciali), para declarar um protetorado sobre o país. O governo italiano classificou o tratado como prova legal que Menelik II, o monarca etíope, tinha cedido a soberania a Roma. O truque era eminentemente simples, do tipo que tinha sido jogado em governantes nativos por comerciantes e colonizadores europeus durante séculos. Menelik II procurou uma solução diplomática para a controvérsia, entretanto, sua esposa, a Imperatriz Taitu não pensava assim. Como não poderia deixar ser, devemos destacar o papel desempenhado pelas mulheres etíopes na história militar do país. Provavelmente a mais famosa rainha envolvida em atividades militares, a Imperatriz Taitu esteve ligada diretamente na batalha de Adwa. Sabe-se que a Imperatriz Taitu comandou uma força de infantaria composta por cerca de 5.000 soldados, apoiados por 600 cavaleiros além de  milhares de mulheres etíopes. Sua estratégia de cortar os suprimentos de água do exército invasor italiano, solapou a linha de frente inimiga. Na segunda invasão italiana a mulher etíope novamente será peça fundamental na fustigação do exército invasor.
Cavalaria etíope
     Roma acreditava que apenas 35.000 soldados conquistariam o país (de dimensões equivalentes ao estado do Pará). A 1 de março de 1896, porém, o general Oreste Baratieri, governador da colônia Eritreia, com 14.000 homens, enfrenta as forças etíopes, com cerca de 100.000 soldados, considerados desorganizados, mais uma horda que um exército formal. Metade do exército etíope se valia de rifles, metralhadoras e canhões, fornecidos pela Russia, pela França e outros países que apoiavam sua resistência, apesar de eles próprios terem colônias no Continente. O restante fazia uso de armas tradicionais, como lanças, escudos, espadas, arcos e flechas.
Bandeira do Império da Etiópia

Bandeira atual da Etiópia

     A Batalha de Adwa, onde os etíopes esmagaram as forças italianas  conseguindo garantir a independência de seu país, ficaria marcada para ambos os lados, sendo para os etíopes exemplo de orgulho nacional e para os italianos símbolo de vergonha, incompetência e infâmia de seu exército, numa época em que se acreditava abertamente na superioridade do europeu branco frente ao negro africano.
   Com a derrota, a Itália teve de enterrar as suas ambições de se tornar uma das grandes potências coloniais.

Bandeira do Reino da Itália 
  
Bandeira atual da Itália  


  O país foi obrigado a pagar reparações; milhares de prisioneiros de guerra foram submetidos a trabalhos forçados, na construção da capital, Adis Abeba. Quarenta anos depois, essa humilhação continuava doendo aos italianos, como prova uma carta do escritor Gabriele d’Annunzio a Mussolini: "Ainda sinto a cicatriz de Adua no meu ombro", escreveu.
Benito Mussolini

     A Etiópia só iria sofrer outra tentativa de invasão pela Itália, 40 anos depois, em pleno regime fascista, numa ação plenamente condenada pela opinião pública internacional, mas que ficou limitada a indignação.
Imperador Haile Selassie

  Nesta nova invasão italiana, o regime fascista, com receio de nova derrota e novo vexame diante de um “povo bárbaro”, ignorando o Protocolo de  Genebra assinado sete anos antes, utilizou armas químicas, não poupando a população civil. Toneladas de bombas de gás mostarda foram lançadas de aviões. Apesar de ter sido um crime de guerra cometido pela Itália, nenhum país da Europa se posicionou sobre o ato e sequer o governo italiano foi responsabilizado.
Guerrilheiros etíopes

    Em 30 de junho de 1936, Haile Selassie foi à Liga das Nações em Genebra denunciar o que ocorria no país e pedir o apoio da comunidade internacional. França e Grã-Bretanha, no entanto, reconheceram o controle italiano da Etiópia, ao que os Estados Unidos da América e a União Soviética se recusaram. 
Mulheres combatentes

     De acordo com o governo da Etiópia, 382.800 mortes de civis foram diretamente atribuíveis à invasão italiana. 17.800 mulheres e crianças mortas por bombardeios, 30.000 pessoas foram mortas no massacre de fevereiro de 1937, 35.000 pessoas morreram em campos de concentração, e cerca de 300.000 pessoas morreram de privações devido à destruição de suas aldeias e fazendas. O governo Etíope também afirmou que os Italianos destruíram 2.000 igrejas e 525.000 casas, enquanto confiscaram ou abateram perto de 6 milhões de bovinos, 7 milhões de ovelhas e cabras, e 1,7 milhões de cavalos, mulas e camelos.
Uma combatente etíope

    Durante a ocupação italiana de 1936-1941, atrocidades também ocorreram, em fevereiro de 1937 nos massacres de Yekatit, onde cerca de 30.000 etíopes podem ter sido mortos e muitos mais presos como uma represália à tentativa de assassinato do Vice-rei Rodolfo Graziani. Milhares de Etíopes também morreram em campos de concentração, tais como Danane e Nocra.
Família Real etiope

     A ocupação italiana não passou de uma década. Durante a Campanha da África do Leste, tropas da Grã-Bretanha e guerrilhas etíopes expulsaram aos italianos da Etiópia em maio de 1941.

Segunda Guerra Ítalo-Etíope. Evidências do uso italiano de gás mostarda contra as forças etíopes em Dolo. As mãos com bolhas de uma vítima foram causadas por gás mostarda. Janeiro de 1936 
Tropa patriótica
    Durante a invasão, a Itália se apropriou do Obelisco de Axum que foi levado para Roma sendo devolvido a sua cidade de origem em outubro de 2005. Durante  as negociações para a restituição do monumento, o subsecretário do Ministério da Cultura da Itália Vittorio Sgarbi, afirmou que “o monumento seria melhor conservado se permanecesse na Itália.”
  

Obelisco de Axum


Bibliografia:

First Italo-Abyssinian War (1895-1896) (em inglês). Disponível em <http://ethiopiamilitary.com/first-italo-abyssinian-war-1895-1896/>. Acesso em: 02 mai. 2016
https://www.infoescola.com/historia/invasao-italiana-na-etiopia/

Yared, E. (2016, 29 de fevereiro) A guerra ítalo-abissínio (1889-1896) . Recuperado em https://www.blackpast.org/global africanhistory/italo-abyssinian-war-1889-1896/

Primeira Guerra Ítalo-Abissínia: Batalha de Adowa
https://www.historynet.com/first-italo-abyssinian-war-battle-of-adowa.htm
https://www.geledes.org.br/os-africanos-que-propuseram-ideias-iluministas-antes-de-locke-e-kant/
https://www.dw.com/pt-br/1936-tropas-italianas-ocupam-adis-abeba/a-312537
http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,AA1505906-7084,00-OBELISCO+DEVOLVIDO+A+ETIOPIA+HA+DOIS+ANOS+CONTINUA+DESMONTADO.html
https://allafrica.com/stories/201810290362.html
https://www.abc.es/cultura/abci-obelisco-romano-axum-sera-devuelto-etiopia-200207230300-116463_noticia.html
Assista a "Filme Antigo da 2ª Guerra Etiópia vs Itália - ኢትዮጵያ vs ጣልያን" no YouTube
https://youtu.be/k3fENmqWKHY

Assista a "Adwa - (also known as Adowa, or Adua) The First Italo-Ethiopian War" no YouTube
https://youtu.be/0s

https://lithub.com/writing-about-the-forgotten-black-women-of-the-italo-ethiopian-war/

ALEHEGN, Tseday. Rainhas, espiãs e soldados: a história das mulheres etíopes
nas atividades militares. Tradução Maurício Waldman. Revista África e Africanidades, Rio de Janeiro, ano 3, n. 9, maio 2010. Disponível em: